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Economia do Ambiente

Abordagem Pigouviana

Taxa pigouviana (imposto pigouviano) é um tributo aplicado a uma atividade de mercado que esteja gerando externalidades negativas

A taxa destina-se a corrigir uma ineficiência outcome de mercado 

Na presença de externalidades negativas, o custo social de uma atividade de mercado não é coberto pelo custo privado da atividade

Portanto, de acordo com a tese de Pigou, o Estado deve contribuir para a proteção do bem comum, estabelecendo impostos para as empresas que prejudicam o bem-estar dos cidadãos

Em 1920, o economista Britânico Arthur C. Pigou escreveu The Economics of Welfare.

Pigou argumenta que industriais buscam seu interesse privado marginal próprio

Quando o interesse social marginal diverge do interesse privado marginal, o industrial não possui incentivo para internalizar o custo marginal social

Por outro lado, Pigou argumenta, se uma indústria produz benefício marginal social, os indivíduos que recebem o benefício não possuem incentivo para pagar por este serviço

Argumentos a favor e contra os impostos de Pigou

Monopólio

Monopólio ocorre quando:

  • O bem não tem substitutos próximos;
  • Por vezes os monopólios são monopólios locais;
  • A empresa tem controlo sobre os preços: mas o preço cobrado afeta a quantidade procurada

Análise do Problema do Monopolista

Como o consumidor não tem possibilidade de comprar o bem a uma empresa alternativa, o monopolista acaba por poder fixar preços acima dos que se verificariam se o mercado fosse perfeitamente concorrencial

  • Se não houver regulação do preço, o monopolista tende a fixar preços P>Cmg, gerando ineficiência económica

Num mercado monopolista, não havendo novas empresas a entrar no mercado, o preço não desce necessariamente até ao nível dos custos marginais ou até ao nível dos custos médios:

  • Podem existir lucros económicos que advêm simplesmente do facto de não ser ameaçado pela concorrência;
  • São lucros económicos anormais, que resultam do poder de mercado do monopolista (que não é ameaçado pela concorrência).

Por exemplo, depois de escolher y* (no gráfico corresponde a y1) há uma parte da procura que fica por satisfazer:

  • O preço que estão dispostos a pagar é menor do que o praticado, mas excede o custo marginal e por isso traria lucro adicional ao monopolista
  • O monopolista poderia ganhar praticando um preço mais baixo para essa procura

Preços e Quantidades em Monopólio

Como são determinados preços e quantidades vendidas pelo monopolista?

Problema do Monopolista

Então derivando o lucro em ordem a y temos que a quantidade escolhida é caracterizada pela expressão:

Discriminação de Preços

A prática de cobrar preços diferentes pelo mesmo produto designa-se por discriminação de preços

  • Exemplos: vales de desconto, cartões frotas de bombas de combustíveis, cartão família no hipermercado, promoções, saldos, descontos de quantidade, cabazes, cartão jovem etc.
  • Para que a discriminação de preços seja eficaz, é necessário que:

A empresa seja capaz de identificar os diferentes consumidores, e de lhes cobrar preços diferentes;

Os consumidores não tenham a possibilidade de fazer arbitragem (os consumidores aos quais o produto é vendido a um preço mais baixo não o podem vender aos outros).

Discriminação de 1º grau (perfeita)

  • Com este tipo de discriminação é transacionada a mesma quantidade que em concorrência perfeita (correspondente à igualdade entre preço e custo marginal), mas o excedente do consumidor passa a ser zero.

Para o monopolista o melhor seria praticar um preço diferente para cada unidade vendida que seria igual ao máximo que o consumidor está disposto a pagar;

  • Prática difícil de operacionalizar desta forma até porque é difícil saber o máximo que cada cliente está disposto a pagar por cada unidade;
  • A discriminação de preços de 1º grau (ou perfeita) consiste na venda de cada unidade de produto ao preço máximo que o consumidor está disposto a pagar por essa unidade (o seu preço de reserva).

Neste caso a quantidade transacionada assegura eficiência económica (é igual à que se verificaria caso houvesse concorrência perfeita, com máximo dos excedentes líquidos totais, embora o consumidor fique sem excedente e o produtor fique com o excedente todo)

  • Se o monopolista conseguir identificar, com base em características exógenas, vários tipos de consumidores e segmentar (evitar arbitragem entre eles) pode ter lucro máximo cobrando a cada grupo o respetivo excedente como tarifa, e depois tem um preço por unidade vendida dada pelo Cmg
  • Num monopólio com discriminação de preços de 1º grau:
  • A curva da procura coincide com a curva da receita marginal;
  • O monopolista apropria todo o excedente do consumidor;
  • O lucro do monopolista é igual ao excedente económico total;
  • O volume de produção maximiza o excedente económico total;
  • A eficiência é máxima, mas a equidade é questionável.

Discriminação de 2º grau (perfeita)

A discriminação de preços de 2º grau consiste na venda de cada conjunto (ou lote) de unidades a um preço específico. Assim, o preço depende do número de unidades adquiridas.

  • No caso da figura, o monopolista vende Q1 unidades ao preço P1 e Q2 unidades ao preço P2.
  • O excedente do consumidor é reduzido em A (despesa adicional), que reverte a favor do monopolista.

Discriminação de 3º grau (perfeita)

A discriminação de preços de 3º grau consiste em cobrar preços diferentes a grupos diferentes de consumidores

Identificando grupos de consumidores com elasticidades preço da procura diferentes, a empresa procurará cobrar-lhes preços diferentes (preços mais elevados aos consumidores com procura menos elástica)

O caso mais frequente é o de um monopolista que vende em dois mercados separados ou 2 segmentos de consumo com procuras diferentes que consegue identificar a priori:

  • Quanto produzir?
  • Quanto vender em cada mercado?
  • Exemplos: Empresas de transportes oferecem preços mais baixos a certos tipos de clientes (jovens, reformados, etc)

O seu objetivo, como sempre, é o de maximizar o seu lucro:

As condições de primeira ordem implicam que as quantidades ótimas a vender em cada mercado sejam tais que igualam os rendimentos marginais da venda em cada mercado e o custo marginal de produção.

A igualdade entre o rendimento marginal em cada mercado e o custo marginal é uma condição de maximização do lucro, porque:

  • Isto implica que, no ponto ótimo: Rmg1(y1) = Cmg(y1+y2)
  • De forma similar, obtém-se: Rmg2(y2) = Cmg(y1+y2).

O seu objetivo, como sempre, é o de maximizar o seu lucro:

A produção e vendas são tais que a receita marginal é igualada entre os mercados e igualada aos custos marginais:

Então o mercado/segmento com maior elasticidade terá preço inferior:

Com discriminação de 3º grau, a empresa iguala o rendimento marginal nos vários mercados.

A função rendimento marginal agregado corresponde à “soma horizontal” dos rendimentos marginais de cada mercado.

  • O volume de produção ótimo é aquele para o qual o rendimento marginal agregado e o custo marginal são iguais.
  • As quantidades e preços nos vários mercados determinam-se nas respetivas funções rendimento marginal.
  • O volume de produção ótimo é aquele para o qual o rendimento marginal agregado e o custo marginal são iguais.
  • As quantidades e preços nos vários mercados determinam-se nas respetivas funções rendimento marginal.

Economia do Ambiente

Formas de supressão das externalidades

Externalidades – Como corrigir o problema de ineficiência?

1º tipo de medidas: Impor limites quantitativos

  • Atuação sobre a quantidade do bem em causa
  • Funciona melhor com externalidades negativas
  • Na externalidade negativa o limite quantitativo seria impor Qsocial (<Qprivado).

2º tipo de medidas: Atuar ao nível dos preços

  • Impostos ou Subsídios

O lançamento de um imposto (ou subsídio), dependendo do tipo de externalidade, leva a um deslocamento dos custos marginais (ou benefícios marginais)

3º tipo de medidas: permitir que o mercado funcione

Exemplo:

2 agentes em interação decidem quanto produzir na economia, com a particularidade de o produto em causa ser um bem para um e um mal para o outro

Definição dos direitos de propriedade

Hipótese (i): A lei não permitir fumar (situação inicial), mas as partes podem chegar a um acordo

  • O que acontece depois?
    • Vai haver algum fumo através de pagamento do fumador para o não fumador
  • Como?
    • Há mais fumo, mas o indivíduo fumador cede a quantidade de outro bem (por exemplo dinheiro), ou seja troca de um outro bem (dinheiro) por fumo
    • O indivíduo que não fuma recebe esse pagamento e suporta algum fumo

Hipótese (ii): ter como situação inicial o direito de propriedade aos fumadores

  • O que acontece depois?
    • Vai haver menos fumo através de pagamento do não fumador para o fumador.
  • Como?
    • Há menos fumo, mas o indivíduo não fumador cede a quantidade de outro bem (por exemplo dinheiro), ou seja troca de um outro bem (dinheiro) para ter menos fumo
    • O indivíduo que fuma recebe esse pagamento e suporta ter menos fumo

Sustentabilidade Conceito:

  • Sustentabilidade é a capacidade de sustentação ou conservação de um processo ou sistema
  • Sustentabilidade é um conceito relacionado à conservação ou à manutenção de um cenário no longo prazo, de modo a lidar bem com possíveis ameaças
    • A palavra sustentável deriva do latim sustentare e significa sustentar, apoiar, conservar e cuidar
    • A noção de sustentabilidade surgiu baseada no entendimento de que os recursos naturais são finitos.

Que situações motivaram a criação do conceito de sustentabilidade?

A ONU realizou diversas conferências para debater questões, como desenvolvimento e meio ambiente, e ao mesmo tempo procurar soluções para os principais impactos ambientais globais.

As principais conferências foram:

Desenvolvimento Sustentável – Conceito:

O Desenvolvimento Sustentável surgiu das reflexões da sociedade-natureza e sua possibilidade de colapso, investigadas cientificamente desde a década de 1970. A definição de Desenvolvimento Sustentável mais conhecida vem do Relatório de Brundtland, publicado no ano de 1987, pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD) como: “[…] é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades” (CMMAD, 1991, p. 46).

Embora existam críticas quanto à fragilidade em termo conceitual, os valores “equidade intrageracional e intergeracional” fazem parte de uma nova postura civilizatória, que busca, não somente a sobrevivência da humanidade no presente, mas principalmente no futuro, isto é, a continuidade da espécie.

O conceito de Desenvolvimento Sustentável foi efetivado a partir da década de 1990 e, para tal, houve a necessidade do entendimento dos termos “desenvolvimento” e “sustentabilidade

  • Desenvolvimento, antes sinônimo de crescimento econômico, passou a incorporar:
    • A possibilidade de redução das desigualdades socioeconômicas e
    • A promoção do bem-estar social coletivo, por meio da gestão racional do meio ambiente
  • A sustentabilidade pode ser entendida como a capacidade de qualquer processo do sistema manter-se indefinidamente

Alguns autores apresentam três categorias estreitamente relacionadas com à sustentabilidade:

Esse desdobramento pode ser melhor abordado:

  • A sustentabilidade ambiental: é o uso dos recursos naturais de forma responsável, para garantir que continuem existindo e possam ser aproveitados pelas próximas gerações.
  • A sustentabilidade econômica: é um conjunto de práticas econômicas, financeiras e administrativas que visam o desenvolvimento econômico de um país ou empresa, preservando o meio ambiente e garantindo a manutenção dos recursos naturais para as futuras gerações.
  • A sustentabilidade social: é o manejo da organização social compatível com os valores culturais e éticos do grupo envolvido e da sociedade que aceita em suas comunidades e organizações, a continuidade de tal processo no tempo

Para além das categorias, existem três níveis de sustentabilidade quando se trabalha com o Desenvolvimento Sustentável e cuja escolha depende das prioridades das relações sociedade-natureza a serem postas em um projeto local, regional ou global:

  1. Sustentabilidade fraca – concepção neoliberal que privilegia o capital físico, podendo substituir o capital natural pelo físico dando ênfase a tornar sustentável o capital
  2. Sustentabilidade forte – concepção fundamentalista que acredita que somente a paralisação de qualquer exploração natural propiciará um desenvolvimento
  3. Sustentabilidade sensata – aqui se permite a exploração do capital natural, porém conhecendo-se os limites dos recursos, isto é, o natural é a base. Percebe-se que as relações do Desenvolvimento Sustentável são complexas, permitem diversos olhares e dependem de outros subsistemas, ecossistema e meio ambiente humano

A manutenção da qualidade de vida está diretamente ligada às condições dos ecossistemas, pois um impacto ambiental é também socioambiental, com fundo político e institucional.

Além das necessidades humanas serem ilimitadas e influenciadas pela cultura, espaço geográfico e classe social.

Em um olhar mais específico, pode-se perceber que o subsistema sociedade divide-se em espaço físico ocupado, na apropriação da natureza e daí, recursos naturais utilizados, e no próprio meio ambiente humano com suas relações de Governo, empresas e Organizações Não Governamentais (ONGs) que se inter-relacionam com os demais subsistemas estando dentro do sistema Natureza

É um equívoco pensar que o modelo de Desenvolvimento Sustentável tenha como meta administrar a natureza e sim, gerenciar e monitorar as atividades humanas que afetam e até inviabilizam os diversos processos ambientais.

Não pode mais haver antagonismo entre desenvolvimento e meio ambiente, pois existe uma dependência do sistema produtivo com a capacidade de reposição dos recursos.

A finitude dos recursos não pode ser esquecida, pois as problemáticas socioambientais vivenciadas pela humanidade, ao longo de sua existência, minaram as sociedades antigas:

  • Desmatamento;
  • Destruição do habitat;
  • Problemas com o solo (erosão, salinização e perda de fertilidade);
  • Problemas com o controle de água;
  • Sobrecaça;
  • Sobrepesca;
  • Efeitos da introdução de outras espécies nativas e
  • Aumento per capita do impacto do crescimento demográfico.

E hoje, diante da evolução tecnológica das sociedades acrescentam-se mais quatro categorias:

  • Mudanças climáticas provocadas pelo Homem;
  • Acúmulo de produtos químicos tóxicos no ambiente;
  • Carência de energia;
  • Utilização total da capacidade fotossintética do planeta.

Indicadores de Sustentabilidade

Convive-se com indicadores há bastante tempo, os quais são criados para comunicarem tendências e orientar tomadas de decisões a curto, médio ou longo prazo, sejam para indivíduos, empresas ou governos.

Tecnicamente, um indicador pode ser definido como a função de uma ou mais variáveis, que conjuntamente medem uma característica ou atributo de indivíduos em um estudo.

Suas principais funções são avaliar as condições e tendências de um fenômeno observado com relação às metas e objetivos pretendidos podendo alertar previamente e antecipar futuras condições.

A agenda 21, aborda a necessidade da construção de indicadores que contemplem a realidade de cada país para as tomadas de decisões diante do desenvolvimento sustentável

O que gerou mais de 894 iniciativas de indicadores de sustentabilidade em todo o mundo

As mudanças dessas ferramentas frente aos desafios da busca pelo Desenvolvimento Sustentável ao longo dos anos ocorreu por meio das gerações de indicadores:

  • Primeira Geração – as primeiras propostas surgiram na década de 1980 e podem ser considerados, em termos de layout, como indicadores ambientais. Essa geração de indicadores apresenta informações socioeconômicas superficiais e que não explicam, nem se relacionam com as demais variáveis – socioeconômicas, ambientais e institucionais
  • Segunda Geração – advinda a partir da década de 1990, esses indicadores evoluíram tanto no layout quanto na inserção das dimensões agora social, ambiental, econômico e institucional, embora não possam representar de fato a complexidade do Desenvolvimento Sustentável
  • Terceira Geração – consolidado o fato dos indicadores serem formados por quatro dimensões, a busca é pela sinergia dos mesmos, por um número limitado de variáveis que melhor retratem a realidade, os impactos e as possíveis respostas, servindo assim como informação para os tomadores de decisões

Os Indicadores de Sustentabilidade devem congregar certas características:

  • Mensurar diferentes dimensões de forma a apreender a complexidade dos fenômenos estudados
  • Possibilitar a participação da sociedade no processo de definição do desenvolvimento sustentável
  • Comunicar tendências, subsidiando o processo de tomada de decisão
  • Relacionar variáveis, já que a realidade não é linear, nem unidimensional

Existem outros requisitos importantes na elaboração e/ou escolhas de indicadores de sustentabilidade:

  • Dimensão ou escopo – ambiental, econômica, cultural, social, institucional
  • Campo de aplicação ou a esfera – global, regional, local
  • Dados que a ferramenta utiliza – qualitativos e/ou quantitativos, além de apresentar o nível de agregação dos mesmos (indicadores e/ou índices)
  • A participação dos diferentes atores sociais na elaboração do sistema – top-down (especialistas e pesquisador) ou bottom-up (público-alvo)
  • A interfase – facilidade em se interpretar os dados para as tomadas de decisões

Dentre todos os requisitos anteriormente citados, a obtenção de dados ainda é algo que restringe os que trabalham com Indicadores de Sustentabilidade:

  • A falta de dados ambientais disponíveis
  • A credibilidade dos dados inviabiliza pesquisas nas esferas regionais ou globais
  • Os diferentes níveis de desenvolvimento econômico dos países, onde muitos desses dados são secundários

O terceiro ponto, é um dos motivos para existir um número maior de aplicação dos indicadores de sustentabilidade em práticas de desenvolvimento sustentável local, cujos dados primários dependem exclusivamente da coleta in situ pela equipe do pesquisador, ou até apenas do pesquisador.

De forma ilustrativa, a figura abaixo apresenta um modelo de indicadores de sustentabilidade de aplicação local, com dados primários coletados de forma contextualizada para avaliação um projeto no litoral do estado do Ceará, Brasil, em uma comunidade de pescadores que buscaram no plantio de algas vermelhas uma melhoria de renda, principalmente no quesito gênero:

Ferramentas para análise da sustentabilidade

Os indicadores de sustentabilidade precisam ser trabalhados em um enfoque sistêmico para que reflitam a realidade e possam mostrar tendências, tensões e causas, em seu conjunto, que inviabilizem a sustentabilidade.

O seu dinamismo ao permitir adequação aos diversos objetos de estudo – é um dos fatores para não existir indicadores definitivos e dentre os diversos modelos internacionalmente trabalhados destacam-se o Ecological Footprint Method, Dashboard of Sustainbility e o Barometer of Sustainability:

Ecological Footprint Method

O  Ecological Footprint Method, também conhecido por Pegada Ecológica, de Wackernagel & Rees (1996) é uma metodologia de contabilidade ambiental que avalia a pressão do consumo das populações humanas sobre os recursos naturais

É de fácil compreensão para o grande público e permite entender como as ações individuais impactam o planeta, por se basear na sustentabilidade forte, requer nova conduta ética global.

Esse modelo de indicador possibilita trabalhar-se em escalas diferenciadas – do local ao global – o que favorece inclusive comparações de resultados.

Essa ferramenta tem como principal contribuição a reflexão para a sociedade de que o padrão atual de consumo precisa respeitar os limites da natureza.

Percebe-se a importância dos indicadores de sustentabilidade quanto à comunicação de informações em momento de crises para os tomadores de decisões ao reportar os limites para se obter a sustentabilidade.

Figura 4: Ecological Footprint

Dashboard of Sustainability

O Dashboard of Sustainability é um pacote de software gratuito e não comercial configurado para transmitir as complexas relações entre questões econômicas, sociais e ambientais.

O software foi projetado para ajudar os países em desenvolvimento a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e trabalhar para o desenvolvimento sustentável.

O pacote de software foi desenvolvido por membros do Grupo Consultivo sobre Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (CGSDI)

Foi aplicado a vários conjuntos de indicadores, entre outros, aos indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e à Comissão das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável indicadores

Figura 5: Dashboard of Sustainability

Barometer of Sustainability

BS (Barometer of Sustainability) é uma ferramenta que permite compreender, avaliar e comunicar à sociedade sobre as interações entre o homem e a biosfera

A metodologia para construção do BS é de arquitetura flexível e não é composta por indicadores fixos

Essa metodologia combina indicadores de bem-estar humano (social, econômico e institucional) e bem-estar ecológico (biofísico) que podem ser aplicados da escala local à global.

O BS é composto por cinco setores que evidenciam o nível de sustentabilidade do espaço. Épossível observar o ponto inicial e final de cada setor:

Sistema comum de dimensões para a construção do Barômetro da Sustentabilidade:

Economia do Ambiente

Objeto de estudo da economia do ambiente

Falha de Mercado

A falha de mercado é considerada como uma situação na qual a disponibilização de bens e serviços por um mercado livre não é eficiente, muitas vezes cria a perda do bem-estar social

A falha de mercado surge quando a eficiência não é alcançada

As fontes de falha do mercado são:  

  • Competição imperfeita 
  • Bens públicos 
  • Externalidades
  • Informação assimétrica….
Figura 1: A imagem acima ilustra uma falha de mercado com uma fonte de informação assimétrica

Falha de Mercado – Argumentação sobre a intervenção do estado

  • O estado “mínimo”  deve intervir apenas para garantir o funcionamento da economia;
  • Se essa intervenção “mínima”  é capaz de alcançar a eficiência depende da  estrutura da economia;
  • Fora desta configuração, existem muitas circunstâncias em que a eficiência não será alcançada;
  • Quando existe falha do mercado, há argumentos económicos para considerar que a intervenção do governo possa ser benéfica;
  • Mas isso não implica que a intervenção seja sempre benéfica;
  • Em todos os casos, deve ser demonstrado que essa intervenção tem a  capacidade de melhorar o que a economia não regulamentada pode alcançar;
  • Isso pode não ser possível se a escolha das ferramentas de política são  limitadas ou a informação do governo é restrita;
  • É preciso reconhecer que as ações do estado e as políticas que pode escolher,  muitas vezes são restritas mesmo pelas características da economia, o que pode tornar o resultado do mercado ainda mais ineficiente (intervenção do governo pode falhar).

Razões para que a intervenção do governo possa falhar

  • O Governo não tem incentivos para corrigir o problema;
  • O Governo não possui informações suficientes para lidar com o problema;
  • A intervenção nos mercados é quase sempre mais complicada do que parece  inicialmente;
  • A natureza burocrática da intervenção governamental não permite por vezes a atuação mais apropriada;
  • A intervenção governamental leva a mais intervenção governamental.

Bens Públicos

Definições: Bens Públicos são bens económicos com características específicas:

Tipologia dos bens públicos

Características dos bens públicos e privados:

Externalidades

  • Situações em que o Bem-Estar de cada agente depende de ações e decisões de outros agentes que não ele próprio;
  • Ações que vêm extra mercado – fora do mercado;
  • As externalidades podem ser positivas ou negativas;
  • As externalidades tanto podem ser no consumo como na produção;
  • As externalidades são uma falha de mercado porque levam a ineficiência;
  • Existe uma externalidade quando há consequências para terceiros que não são levadas em conta por quem toma a decisão;
  • O exemplo prototípico de uma externalidade negativa é a poluição ambiental.

Externalidades – Exemplos

Óptimo de Pareto

O “óptimo de pareto” ocorrerá, quando existe uma situação (A) onde ao se sair dela para que “um ganhe”, pelo menos “um perde”, necessariamente.

Situação: Zona acadêmica de aluguer de imóveis para estudantes:

Óptimo de Pareto – Exemplo

Figura 2: Situação de ótimo de pareto

A imagem acima mostra uma situação clássica de ótimo de pareto, onde para se sair dela para que um ganhe será necessário que um perde.

Economia dos Recursos Naturais

Energia não renováveis

Conceito de Energias não renováveis

A energia não renovável (ou energia suja) são aquelas produzidas a partir de fontes de energia que se esgotam na natureza e, portanto, causam diversos impactos ambientais

Essa energia de origem orgânica (de origem vegetal ou animal) é limitada e demora milhões de anos para se formarem na natureza

Ainda que apresentam grandes quantidades, se esgotadas não podem ser regeneradas facilmente, uma vez que suas reservas são finitas

Os principais exemplos de fontes de energias não renováveis são os combustíveis fósseis (petróleo, carvão mineral, gás natural e xisto betuminoso) e os combustíveis nucleares

Figura 1: Petróleo
Figura 2: Carvão mineral
Figura 3: Gás natural
Figura 4: Xisto betuminoso

Consumo global de energias não renováveis

O consumo de energia primária cresceu 1,3% em 2020, menos da metade da taxa de 2018 (2,8%)

Cumulativamente, os combustíveis fósseis, ainda representam 84% do consumo de energia primária em todo mundo

A China foi responsável por 3/4 do crescimento do consumo global de energia, seguido da Índia e Indonésia. Os EUA e a Alemanha registraram os maiores declínios

O consumo de gás natural aumentou 2% em 2019, enquanto que a participação do gás natural no consumo de energia primária subiu para um recorde de 24,2%.

A produção de gás natural atingiu um novo recorde, com a produção dos EUA respondendo por quase 2/3 desse aumento. Fonte: Petroangola

Figura 5: Consumo global de combustíveis fosseis
Figura 6: Consumo global de energia com fontes primarias
Figura 7: Consumo de combustíveis fosseis

Segundo o relatório da companhia BP Resenha estatística da energia mundial para 2021, os atuais líderes regionais em consumo energético de fontes renováveis são:

Enquanto isso, países como Arábia Saudita, Argélia, Trinidad e Tobago e Turquemenistão ainda dependem dos combustíveis fósseis para mais de 99% de sua energia. Com 93%, a Polônia apresenta a maior cota na Europa.

No entanto os maiores focos de usinas movidas a carvão mineral estão em outros locais: das 6.593 centrais em atividade, 2.990 se situam na China, 855 na Índia e 498 nos Estados Unidos.

Essas posições no ranking não são alteradas pelo fato de os três países terem, ao todo, desativado, aposentado e cancelado 3.700 usinas a carvão, desde o ano 2000, de acordo como o Monitor Global de Energia.

Figura 8: Usinas de carvão
Figura 9: Geração de eletricidade por tipo de energia
Figura 10: Vendas de veículos elétricos

Consumo CPLP de energias não renováveis

Figura 11: Consumo de energia na CPLP

Produtores mundiais de gás natural

Figura 12: Produtos de mundiais de gás natural

ODS – 2030

Figura 12: ODS
  • Entre 1990 e 2010, o número de pessoas com acesso à eletricidade cresceu 1.7 bilhão
  • Como a população global continua a crescer, também crescerá a demanda por energia barata
  • Com a economia global dependente de combustíveis fósseis
  • Aumento das emissões de gás carbônico está criando drásticas mudanças no clima, o que impacta diretamente todos os continentes. Fonte: PNUD
  • Esforços para promover o uso de energias limpas garantiram, segundo dados de 2011, que 20% da energia consumida no planeta venha de fontes renováveis
  • 1 em cada 7 pessoas no planeta não tem acesso à eletricidade
  • Com o crescimento da demanda há a necessidade de substancialmente aumentar a produção de energias renováveis:
    • Garantir o acesso universal à energia a um preço justo até 2030 significa investir em fontes de energia limpa, como a energia solar, eólica e térmica
  • Adotar padrões de custos sustentáveis para uma vasta gama de tecnologia também pode reduzir o consumo global de energia em 14%
  • Expandir a infraestrutura e modernizar as tecnologias para fornecer energia limpa em todos os países em desenvolvimento é um objetivo crucial para que o crescimento econômico colabore com o meio ambiente

A necessidade de substituição das Energias não renováveis

Limites à emissão de dióxido de carbono (CO2)

O Protocolo de Kyoto é um acordo mundial resultante da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima

O Protocolo de Kyoto foi elaborado e assinado no ano de 1997, no Japão, na cidade de Kyoto, que deu o seu nome

O objetivo da Conferência das Partes era reunir os países a fim de promover uma revisão dos compromissos estabelecidos na convenção

A partir dela, foi criado o Protocolo de Kyoto, um dos principais acordos mundiais relacionados à diminuição da emissão de gases à atmosfera. Participaram cerca de 141 representantes de diversos países

Figura 13: Protocolo de Kyoto

Metas para os países:

Limites à emissão de dióxido de carbono (CO2)

  • O dióxido de carbono (CO2) é o mais importante dos poluentes responsáveis pelo aquecimento global que esta alterando o nosso clima
  • O ideal é reduzir a emissão de dióxido de carbono em 80% a 90% até 2050. Isso significa que necessitamos de mudança nas formas de geração de energia, para as que não produzem CO2
  • O dióxido de carbono é principal gás do efeito estufa (GEE), é produzido pela queima de combustíveis fosseis, que fornece a maior da energia para a atividade econômica.

Críticas do Protocolo de Kyoto:

  • Os Estados Unidos não ratificaram o tratado e a China, assim como outros países em desenvolvimento
    • Na contramão do mundo, o país recusou-se a ratificar o Protocolo de Kyoto e, segundo o presidente à época, George W. Bush, as metas estabelecidas pelo protocolo possivelmente prejudicariam a economia do país. Bush também questionou o fato de não haver metas para os países em desenvolvimento
  • De acordo com o painel intergovernamental de mudanças Climáticas (IPCC), o recomendável seria cortar de 25% a 40% das emissões globais comparado ao nível emissões no ano de 1990, que é o ano base do Protocolo de Kyoto

Mercado de créditos de Carbono

Créditos de carbono representam um mercado de créditos gerados com base na não emissão de gases de efeito estufa à atmosfera, podendo ser comercializados entre países. É um conceito, surgido a partir do Protocolo de Kyoto

Figura 14: Mercado dos créditos de carbono

As emissões de dióxido de carbono refletem, apenas através do consumo de petróleo, gás natura e carvão

Fonte: BP Statistical Review of World Energy, 2009Figura 15

Os continentes asiatico, europeu e norte americano são responsaveis por 87,1% das emissões de CO2 na atmosfera atraves do consumo de carvão, petroleo e gás natural.

  • O continente asiático emite 42,6% do total de dióxido de carbono, devido ao altíssimo consumo de carvão
  • Principalmente através da China, que representa 24,2% da emissão mundial de CO2
Figura 16: Emissões de dióxido de carbono

Emissões de CO2 (1960/2017)

Fonte 17: Emissões de dióxido de carbono

Emissões de CO2 – Empresas

Fonte 18: Emissões de dióxido de carbono – Empresas

Projeções Globais de Emissões de CO2 (1990/2030)

A tabela abaixo mostra as projeções globais de emissões de CO2, ligadas à energia, preveem o seguimento do aumento rápido e continuo, resultante do aumento da demanda global de energia fóssil. Já tendo aumentado de 20,9 Gt (Gigatoneladas) em 1990 para 28,8 Gt em 2007. As emissões de CO2 ligadas à energia foram projetadas para atingir 34,5 Gt em 2020 e 40,2 em 2030 – uma taxa média de crescimento de 1,5% ao ano

Figura 19: Projeções globais de emissões de dióxido de carbono

Participação de Energia Primária

Participação de cada Energia Primária na matriz energética mundial (Mtep – milhões de toneladas)

Figura 20: Participação energética primaria

Drivers fundamentais na segurança energética

Existem alguns drivers fundamentais na segurança energética de um país:

Implicações do crescimento do comércio de energia fóssil

O crescimento do comércio de energia fóssil tem implicações importantes para a segurança energética. Há uma série de preocupações e medos, tais como:

A necessidade de substituição das Energias não renováveis

As projeções indicam que os combustíveis fósseis continuarão a ser a fonte de energia dominante no futuro previsível, mas a actual situação geopolítica e ambiental exige uma nova abordagem ao consumo de energia

Para se obter a manutenção de uma economia próspera global e um ambiente saudável, é fundamental a busca por uma carteira diversificada de soluções de energia

Mas a curto prazo é o desenvolvimento de tecnologias avançadas, para o ciclo do combustível fóssil, desde a exploração e produção até a captação e o armazenamento das emissões de CO2

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